Apresentação

O que inspira é a liberdade e a coragem, em cada Um, de pensar diferentemente de si mesmo.
Todos têm uma tendência adaptativa de se conformar ao modismo cultural e às patrulhas externas e mais ainda  às internas, que acabam por abortar muitas possibilidades.
O esforço em nossas atividades é o de criar brechas, mesmo que aparentemente pequenas, visto que vivemos num mundo de forças recalcantes tão poderoso, apostando na Outra força, aquela que a despeito da mediocridade demasiadamente humana pode reativar nossa potência política, teórica, afetiva, corporal, enfim, na força pulsional, por acreditarmos  ser a única fonte de verdadeira existência.
Ampliar as questões que envolvem a clínica psicanalítica, retomando sem medo a pergunta que nos foi apresentada  por Jacques Lacan : “O que é a Psicanálise?", como forma de mantê-la viva, nos leva inevitavelmente a fazer uma micropolítica sobre a cultura que estamos imersos, pois afinal, não há psicanálise apartada do mundo ou da vida.  A ética da psicanálise é também uma clínica e uma política, caso contrário não é psicanálise. Desenvolver estudos que habilitem profissionais a intervir na direção de uma cura para além das quatro paredes de seus consultórios, visando atingir então, uma clínica maior, uma Clínica Geral é condição ética. 
A realização de grupos de estudos, seminários, palestras, leituras de filmes, cursos e outras atividades com pensadores da psicanálise, mas também o encontro com criadores de outras áreas de atuação, como a filosofia e a arte, visam desenvolver a principal característica humana: a capacidade de pensar. Atividade sem a qual não é possível existir de fato e que se vê tão reduzida, em nosso tempo, à mera repetição de comportamentos herdados por seres capturados.  
A ALCEP propõe um debate no sentido de analisar e criar novas formas eficazes de intervenção social, na direção de uma diminuição do mal estar que a civilização gera e mantém. O investimento é em novas associações e novas formas de cooperação, na potência do homem comum, mas que quase sempre não esta disponível sem antes exercitar um percurso de aprendizado para se chegar ao mais originário. 
Esse percurso é o que propomos fazer juntos. 
O alvo é o da Pulsão, potência clínica, ética e política. Potencia vital. É a luta contra as formas de assujeitamento, isto é, de submissão da subjetividade, que prevalecem, mas que o rigor de um exercício digno deste fim pode e deve garantir.